monólogo das horas cansadas

Um dia desses encontrei com um amigo que disse e me fez pensar melhor a respeito da maneira como me sinto. Disse que ao invés de sufocar todos meus sentimentos, eu deveria falar sobre eles, arrumar uma maneira de expulsá-los da minha mente para que eu não enlouqueça. Bem, o que ele me disse é uma verdade incontestável, mas o que acontece  é que nos últimos tempos tudo vem parecendo tão nebuloso e confuso, que enquanto escrevo estas linhas não tenho mais tanta certeza de como eu me sinto. Como se eu apenas fosse um baú escuro e profundo, onde há tantos segredos que eu não ousaria resgatar lá do fundo, pois seria terrível reviver todos aqueles tormentos.

Sinto-me um tanto imune ao que me cerca. Tudo me atinge, mas eu ignoro. Não sei de onde tirei tanta indiferença ao que transcorre na minha vida. É como olhar, sofrer, saber que dói e fingir que não está acontecendo. Procurar mil outras coisas para enfeitar meus dias de encantos, mas quando minha cabeça descansa no travesseiro, os minutos parecem décadas e aquela imensidão de fatos enche minha cabeça até que batem três da manhã e eu ainda estou pensando no que a minha vida podia ser.

Tudo isso aqui é apenas um punhado de palavras vazias, parece que nada que escrevo vai significar realmente o que sinto. Tudo que sinto é inalcançável, eu não sei onde perdi a minha capacidade de sentir as coisas. Apenas me agarro a qualquer vestígio de contentamento que possa abrir um clarão e distrair toda esta escuridão que me cerca. Apenas queria fugir ou me esconder, mas eu não posso. Espero pelo momento de ser salva por alguém, por algo que me cative e faça-me voltar para sanidade.

Tornei-me uma pessoa tão reclusa, que não sinto mais vontade de realmente contar o que se passa com amigos ou familiares. Conto-lhes apenas superficialidades, tudo aquilo que está à margem de todos meus sentimentos. A profundidade de tudo não lhe será cabível, ninguém entenderia. Pareço mais um poeta de segunda geração do Romantismo, a la Lord Byron, regado de sofrimento e depressão, porém não é nada disso (agora me senti uma completa doida, mas enfim).

Apenas vivo meus dias e os marco em calendários medíocres sem sentido algum. Predestinada à rotina cansativa e sem nenhuma diversão. Tudo que eu possuía como belo e intacto afastou-se num súbito piscar de olhos, um belo dia acordei e percebi que não era mais a mesma pessoa. Parecia que eu estava em outro corpo vivendo a vida de qualquer outro mortal e tudo aquilo que era bonito ficou apenas registrado em velhas fotos e diários. Tão bom e distante que nem parece ter sido comigo.

 

 

P.S. O amigo citado logo acima é o Rafael (obrigada pela inspiração, pelos bons e maus momentos <3)

Anúncios

O que achou? Comente.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s