Alucinação

Porque todo amor se perde entre as nuvens de fumaça e a sorte que herdei incrustada em velhos talismãs rasgaram-se entre os véus do meu choro. Toda a desolação que me cerca e oprime os vagos sorrisos que ainda tento mostrar.  Não sei ao certo, não sabemos se todo mistério nasce dos livros sagrados, escrituras. Da voz do divino, do maligno impecável, do santo devasso. Todas as meias horas de conversa com os amigos, as gargalhadas que deixamos escapar são os vestígios de mascarar a dor que se encolhe, se aprofunda e acomoda no peito. Todas as vezes, todas as malditas vezes que sorrimos para o espelho em busca de um rastro de luz o nosso peito se retorce e grita em busca de um tanto de paz. São meros sorrisos, meros sentimentos vis.

Mas todas estas coisas são ensinadas naqueles discos, no escuro da noite, no silêncio do cômodo vazio e devastado, o idealismo, as velhas fotos das gerações perdidas, a música que ecoa no rádio, toda esta porcaria nos aprisiona no que poderíamos ter sido caso não fosse a solidão. Os mantras em moto-contínuo nos afastam do caos, as velhas melodias que cantamos baixinho quando os olhos se fecham e transitam em todos os mundos para não sofrermos mais. Nada do que digo pode fazer sentido, mas são verdades que vagam, que ferem.

Os que nos magoam, desordenam e depois com um toque acolhem nossa alma como se pudéssemos flutuar. São os guardiões da alma e da escuridão, os que velam nosso sono, os que secretamente possuem uma fotografia nossa no fundo de suas mentes e sempre que algo os toca a nossa presença surge ali. Falo dos amigos, dos parentes, das paixões.  O passado exposto nas nossas velhas lembranças e como passageiros de um trem sem destino nos sentamos ao lado da janela para cortejar a efemeridade de todas as coisas. A saudade que nos toca e dói, o pobre pensamento de que tudo que passou foi mais bonito do que o presente. A nostalgia de nós mesmos dilacera meus pensamentos.

Ainda não sei o significado disto tudo, só sei dizer que tudo aqui dentro é um enorme caos. Como se uma enorme onda de infelicidade estivesse cruzando o meu caminho e por muito pouco não me atingiu totalmente. Não sei no que acreditar, ao que recorrer ou onde correr pra se esconder. Até então só acredito em mim, nas minhas palavras desalinhadas, nas alucinações do dia a dia e no tempo. Do resto: só espero que tudo termine bem. Tudo está sendo uma grande aventura.

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