Indiferença

Das horas de conversa sem itinerário e os sorrisos que deixamos escapar por dentro das confissões, as vezes que trocávamos os personagens e sentimentos, quando você era a melhor companhia para me fazer despistar do mal. Ainda sustento na minha mente as ruas que caminhamos sem nenhuma real intenção, as tardes carregadas de um desejo abafado pela ingenuidade do quase começo.  Precisava escrever, precisava escrever assim como todos respiram, eu realmente precisava aliviar tudo isto que me ocupa o silêncio.

Eu te vejo, mas sei que não nos tocamos mais. É como se eu estivesse te vendo entrar num caminho aleatório sem despedida e companhia. Como se estivéssemos voltado ao marcador zero do relógio da afeição.  Não vejo mais espontaneidade, todas minhas palavras agora são devidamente medidas para não te magoar, para não me maltratar com o possível sentido que elas tomarão. Parecia que minhas palavras eram vestidas com facas e por diversão ou maldade, eu as lançasse em sua direção apenas para te machucar. Pensei que nós fossemos amigos, amigos que se divertem juntos e veem a leveza nas coisas da vida, amigos que dão risadas das desventuras e se consolam depois. Mas você me impôs uma barreira, um limite, uma cerca que eu não consigo ultrapassar por medo da sua oposição.

Sinto falta de quem conheci e de quem me cativou, de quem eu gostava de perder as minhas poucas horas conversando. Te vejo mudar, mas não os hábitos e sim os sentimentos. Vejo o teu desdém, teu orgulho e isto me dói. Eu não quero conversar sobre, eu apenas quero que você sinta, sinta como eu sinto por você. Como você sentia antes, quando você se importava. O teu silêncio que assim como o meu não diz nada. É vazio e triste. A eterna tentativa de abafar o arfar do coração, dos furtivos olhares de longe me arranham os sentidos.

Entre o vazio e a reprovação, eu fico com o silêncio. Fico com meu silêncio e mil palavras percorrendo a mente, levanto a minha guarda e corrompo a afeição. Apenas deste jeito aparentemente viveremos em paz, cada lugar na sua coisa. Você dentro da sua muralha de conveniência e eu que ficava do lado de fora esperando para entrar já não espero mais. 

Caso eu tenha lhe feito algum mal, me desculpe. Não pelas minhas palavras mal interpretadas pelos teus sentidos, mas sim pelos maus sentimentos que lhe causei. Pela solidão e pelo não correspondido. Agradeço pelas boas horas de conversa, quando você ainda era bom pra me ouvir sem todo este aborrecimento que nos ronda. Quem sabe um dia tudo voltará ao normal. Mas deixe as palavras fluírem e faça apenas o que sente. Boa noite.

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