Presença

Eu queria ser a janela da tua alma,
O sol que toca tua pele ao amanhecer,
As estrelas que contas no vazio da noite,
Os mil incensos pregados no teu cabelo.
O ritmo que embala teus movimentos,
As tuas veias que flutuam vermelhas e febris,
O chão que suporta o teu peso,
Os braços que carregam teus abraços,
As bocas que mastigam os teus beijos.

Eu queria ser aquela canção repetida,
As horas perdidas nas noites acordadas,
Ensinamentos, livros sagrados da tua religião,
A poeira que encobre o teu passado,
Os destinos improváveis do futuro.
A voz que anuncia tua opinião.

Invadir teus bares, teus mares,
Tua melancolia e a tua solidão,
Sussurrar teus sonhos e vaidade
Enfeitar teus sorrisos com as luzes da cidade.
Te fazer oblíquo, iluminado e devasso,
Na plataforma do trem da próxima estação.

Teu rosto pregado nas janelas do trem,
Que passa furtivamente por meus olhares.
Cintilando nas asas das pequenas borboletas,
Aflorando no rosto de alguém.

Teu olhar infeliz estampado nas camisetas,
Cartazes no meio da capital tropeçam no teu nome,
Me contam delírios nos espaços do dia,
E desenham no meu rosto a tua imagem distante,
Que a cada batida do relógio me dilacera e consome.

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