Viva!

A busca, a incessável jornada pela essência, pelo silêncio na noite escancarada de estrelas cintilantes. Estive buscando em livros sagrados, filosofias, filmes ou rituais mágicos, buscando o despertar ao atravessar uma esquina já percorrida milhões de vezes. Talvez seja por medo de inclinar-se em frente ao relógio e se jogar sem medo de sentir as linhas do tempo marcarem o rosto, as coisas que me atravessam e deixam seus rastros nos entalhes do peito. Eu ainda não sei o que sou, não encontrei definição para isto. Também não sei quem era a meio ano atrás e não tenho a mínima ideia de quem serei. Apenas quero sentir algo verdadeiro, algo que me faça sentir parte deste universo tão complexo e fútil.

Estava muito precisando escrever, porém ainda não sei o que irá completar estas linhas. O fato de apenas sentar-me aqui e falar talvez já seja a escrita propriamente dita. Será? Não estou com vontade de escrever poemas, poesias, sonetos ou crônicas sobre o cotidiano, amor, desespero ou apenas observações. Quero escrever para conversar comigo mesma ou com alguém que está lendo isto, quero gastar minhas horas de conversa guardadas e empoeiradas. Há muitos pensamentos que perambulam insones pela minha cabeça apenas esperando pelo momento de se lançar e tornar-se uma reflexão. Gosto bastante de conversar, mas gosto mais ainda de conversas que nos indagam e questionam quem somos, aquelas que nos fazem presumir todos estes mistérios do universo. Coisas de gente louca, as mentes inquietas.

Agora tudo fugiu, odeio quando começo a escrever algo e me perco na linha de pensamento, mesmo que esta linha não faça sentido algum. Falar por falar, falar pra aliviar e se esgotar de tanto falar, falar pra desafogar, falar para se entender e viver. Tenho conversado comigo durante a noite, naquela bendita hora de dormir que a alma se ilumina e emana a sua luz inquietadora pelo quarto nos impedindo de dormir. Eu gosto disto secretamente, pois é nesta hora que tenho meus pensamentos mais iluminados e o pior é que nunca documento nada e nunca tem ninguém pra me ouvir.

O cotidiano do trabalhador é maçante e efusivo, são dias desleais conosco. A vida correndo lá fora no sopro da natureza enquanto ficamos encaixados uns nos outros no vagão de um metrô. E assim levaremos nossas existências até a terra nos abraçar com seu odor e assim morreremos em paz e de braços cruzados. Precisamos encontrar urgentemente utilidade para nossas almas, as almas inquietas. Sinto uma leve inveja de quem se contenta com as monotonias do dia-a-dia e não transita pelo outro lado da alegria, estas pessoas serão para sempre uniformes e contentes. Nós sempre queremos mais, sempre esperamos mais. O próximo beijo, o trançar dos cabelos, o vento no rosto, o balanço das pernas na dança desordenada, a risada furtiva.

Falei, falei e não falei nada. Só ouço o eco dos Pontos Cardeais tocando no meu rádio e meu olhar que percorreu todo o quarto em busca de algo pra acrescentar aqui. Um ensaio sobre a liberdade da alma, a única hora que me permito vagar. Enfim, somos todos um bando de gentes loucas que corre atrás da vida enquanto ela se esquiva, isto é tão clichê. Cada um com nossas observações, obsessões e canções. Gritos contidos, lábios cerrados e línguas falando. Somos todos nós mesmos, impacientes, brilhantes e volúveis, somos nós.

“Estou montado no futuro indicativo, já não corro mais perigo e nada tenho a declarar”.

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