o primeiro poema da estrada

e esta vontade de cair fora fica como?
cadê as estradas que iremos percorrer na noite
na neblina das cidades
o cheiro que agarra nos cabelos
e o vento que sacode o pó.
 
cadê as paisagens desconhecidas?
os sorrisos despercebidos
desconhecidos que transitam
para lá e cá, para cima e baixo
com olhares desconfiados,
as roupas rasgadas
mas peito cheio de paz.
 
há um eco que corre pelo mundo
e sussurra em meus ouvidos
estas canções da velha estrada
que ouço
enquanto me esquivo
nos bancos carona dos carros
escapa pelo toca fitas das picapes antigas
o canto do vento no canto do ouvido
no deslizar das rodas da moto
mundo a fora.
 
ir para longe, bem longe
onde o asfalto das cidades maltrapilhas
com seus esgotos a céu aberto
arranha-céus e impiedade
se percam no retrovisor embaçado
do adeus inusitado.

(dedico a minha inspiração ao disco do sá, rodrix e guarabyra – passado, presente e futuro (1972) que sempre nos invoca a viajar e viver este mundo.)
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