Imagine – John Lennon (1971)

Imagine

Nunca falei diretamente de música aqui, mas este disco merece uma atenção especial. Gosto muito dele e ouso dizer que está entre as primeiras posições no meu ranking de discos para amar. Gosto dele por inúmeros motivos: pela sonoridade, pela paz que traz e principalmente porque encontrei parte da minha identidade nas composições do Lennon. Assim como muitas pessoas escutam Cazuza e Renato Russo porque eles explicam a elas o que sentem, eu ouço este disco porque ele me explica como me sinto. O disco começa com a singela e utópica “Imagine”, que virou um hino mundial e uma suplica de paz. Esta é realmente uma música maravilhosa e traduz também a ideia de um mundo realmente perfeito, mas o disco não se resume a apenas esta música (como um monte de gente pensa) e o melhor dele está ainda por vir. Seguindo por “Crippled Inside” que o Lennon nos conta que mesmo que a gente tente se arrumar, forjar sorrisos e fingir estar bem, nunca conseguiremos fingir quando estamos destruídos por dentro, como nos versos “You can go to church and sing a hymn, judge me by the color of my skin. You can live a lie until you die, one thing you can’t hide is when you’re crippled inside.”

Seguindo com a terceira música “Jealous Guy” que ele pede desculpas por ter magoado uma garota (Yoko, rs) e a ter feito chorar por ser uma pessoa ciumenta e pelo medo de perdê-la. É uma linda música de amor. Mas saindo dessa melação toda chega umas das minhas canções favoritas na qual parece que o John e eu temos o mesmo sentimento sobre o mundo quarenta e três anos de distancia um do outro. A música chama-se “It’s So Hard”, os versos a seguir falam por si “You gotta live, you gotta love, you gotta be somebody, you gotta shove. But it’s so hard, it’s really hard. Sometimes I feel like goingdown”. Já em “I Don’t Want To Be a Soldier” é uma música na qual ele fala para a sua mãe que não quer ser um fracasso, não quer ser um soldado e morrer na guerra.

Em “Give Me Some Truth” o John derrama toda aquela acidez que eu adoro e fala mal de meio mundo de gente sem medo de ser feliz. Retrata como está cansado de toda mentira que vemos todo o tempo e de toda esta patifaria que nos ronda e então ele pede um pouco de verdade. Gosto bastante do Lennon pois ele assim como eu tinha esta impressão de viver em um mundo doente e falava abertamente disto, cuspia as suas opiniões no disco, era tachado de doido mesmo e não estava nem aí. A música que 80% das vezes me faz chorar independente do momento chama-se “Oh My Love” e é aquela declaração de amor que todos nós gostaríamos de receber, como se o amor existisse em sua forma mais pura e livre de possessões. Ele apenas demonstra como seu mundo está mais leve desde que ele encontrou este “amor” que tanto ansiava, “I see the wind, oh, I see the trees. Everything is clear in my heart”. A música a seguir é um balde de rancor, “How Do You Sleep” foi uma alfinetada no McCartney e eu acho esta música uma grande bobeira do John, afinal de contas eles sempre foram bff’s kkkkkkkkk Tem uma sonoridade e um solinho de guitarra zenzazional, mas de longe é uma das minhas menos preferidas do álbum.

A masterpiece e melhor música do disco “How?” merecia ter a letra inteira descrita aqui pois eu me vejo nela e inúmeros artistas já fizeram cover desta música, incluindo o Ozzy Osbourne que é declarado um dos maiores fãs dos Beatles e do Lennon. Acredito que eu e mais centenas de pessoas nos sentimos da mesma maneira. “How can we go forward when we don’t know which way we’re facing? How can we go forward when we don’t know which way to turn? How can we go forward into something we’re not sure of?” e o maravilhoso refrão “You know life can be long and you got to be so strong and the world is so tough, sometimes I feel I’ve had enough”. E para finalizar temos “Oh, Yoko!” O Lennon sempre deu um jeito de incluir esta peste desta mulher em tudo, por isso que ela encheu o saco e destruiu a banda (parei) não é uma das minhas músicas favoritas também, ela é bem animadinha e o John fala que em todos os lugares que ele está ele chama o nome dela. 

Acaba o disco e eu tomo uma dose de calma. Como já disse mil vezes que eu adoro este álbum e todo mundo já está cansado de saber. Eu indico para que os interessados o escutem e adoraria que sentissem o mesmo. Enfim, isto é tudo.

 

 

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