Afável

O problema é que eu sempre desato laços, crio casos e embaraços. Depois me envolvo na minha capa de reclusão e com medo me ponho apenas a observar. Das tantas vezes que desfizeram meu coração, de toda poesia que fiz. Sorrisos que enfeitei e do resto ficou apenas o espaço, o vão.

Depois me veio aquele moço sublime e com olhos de promessas, as mãos despidas que carregavam consigo apenas um pedaço gelado de aço em torno do dedo.  Desde então reencontrei todo meu dilema, me pus a sonhar nas madrugadas, em ser a sua amante, sua amada e, no entanto todas minhas fantasias se renderam a ilusão. Vazio, tédio e solidão.

Mas você surgiu de um lugar onde eu já estive e eu ainda não sei ao certo, pois te olho, mas não enxergo quem verdadeiramente és. Como se precisasse desnudar os teus anseios e me vagar nos teus planos.  A única coisa  que sei é que quando as nossas mãos se encontram, assim de relance e por acaso o meu coração fica quieto, me afaga. Tuas mãos apartam o mal de mim, me protegem de quem eu me tornei.

Por isso que gosto da sua companhia, do nosso tédio, nossa poesia. Gosto de te ver chegar e sentar junto de mim para jogar meia hora de conversa pelos ares. Sei que independente do que for você vai escutar. Mesmo que fique mudo e absurdo, você sempre vai dar aquela entortada na boca e soltar alguma frase incoerente e nós ficaremos bem.

Não sei o que será de mim, o que será de nós (se é que existimos como um só), só sei que me sinto bem. Sem nenhuma outra razão e provavelmente por esses calendários nós descobriremos as nossas verdades e eu conseguirei te explicar e quem sabe te oferecer algo a mais do que o toque da minha mão.

Nada de promessas, nada de beijos em pedaços de papel. Apenas quero que saiba que escrevo, pois não há outra maneira de mostrar como me sinto. Se eu falasse tudo soaria disperso e as palavras se perderiam entre as minhas pausas para respirar, tudo pareceria distante. Eu só espero que entenda toda a minha confusão e se demore por aqui.