O poeta decadente

Velho, monótono e solitário
Em seu quarto cinzento
Debruçado sobre seus relatos
Invocando os livros na velha estante,
Empilhados de pó.

As pequenas recordações guardadas
Em velhos armários,
Rostos extintos nas fotografias,
O mundo orbitando no seu interior
Enquanto o vento gelado acaricia sua pele.

Em um rabisco
“Faço das palavras um antídoto pra solidão”.
Aqui dentro há consolo e serenidade,
Lá fora, olhares nervosos e rostos cansados
Rumando em sequência,
Marchando solitários soldados
Pelas ruas, pelas estações.

Resmungando em terminais,
Rastejando pelas estreitas calçadas.
O nosso triste telespectador assiste à todos
Como uma fúnebre encenação.

O poeta decadente
Caminha com suas palavras,
Delírios e livros.
Um bom cigarro, uma velha canção,
Uma boa conversa, uma mesa de bar.
Em troca de um pouco de inspiração.

(19/03/2013)